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A VEZ DELAS

Área da saúde sob controle das mulheres em Jales
11 de março de 2018
Exatamente na quarta-feira, 7 de março, véspera da comemoração do Dia Internacional da Mulher, o IBGE divulgou uma pesquisa bastante preocupante, mostrando que está caindo a participação das mulheres em cargos gerenciais no Brasil 
De acordo com o levantamento, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), a presença feminina em cargos de gerência diminuiu nos últimos anos. 
Em 2011, elas respondiam por 39,5 desses cargos — uma queda de 1,7 pontos percentuais em cinco anos. 
Segundo o IBGE, além (e principalmente) do preconceito, afazeres domésticos e filhos limitam ascensão feminina na carreira ou em cargos de confiança no ambiente político-administrativo.
Em Jales, tradicionalmente, como acontece no país todo, as mulheres, desde tempos imemoriais, dominam a educação, aí incluídas a dirigente regional de Ensino, Marlene Jacomassi a secretária municipal de Educação, Lourdes Rezende, além de supervisoras de ensino, diretoras e professoras.
Mas em outros segmentos como, por exemplo na política, isto não acontece (ler Editorial, página 1-2). 

SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE
Entretanto, Jales é uma exceção à regra em pelo menos um segmento, o da saúde, onde 99% dos cargos de liderança estão sob controle das mulheres.
No âmbito da administração municipal, uma mulher tem a responsabilidade de cuidar de um dos mais espinhosos setores, a Secretaria Municipal de Saúde.
Trata-se de Maria Aparecida Moreira Martins que, embora seja assistente social de formação, passou 33 anos de sua vida na Secretaria Estadual de Saúde, onde se aposentou em 2017, sendo recrutada pelo prefeito Flávio Prandi Franco.
O cotidiano de Maria Aparecida contempla administrar um orçamento estimado em R$ 32 milhões em 2018 e fazer funcionar uma máquina com 350 funcionários e 15 médicos das unidades básicas de saúde (ESFs), porta de entrada no sistema.
Aqui cabe também uma observação. O município, de acordo com a Constituição, é obrigado a investir 15% de suas receitas na saúde, mas acaba sendo obrigado a aplicar em torno de 25%, o que exige dela e sua equipe um esforço diário dada a escassez de recursos disponíveis. 

HOSPITAL DE AMOR
Outra mulher cujo dia-a-dia requer muito trabalho é Camila Venturini, gerente administrativa da Unidade de Jales do Hospital de Amor, nova denominação do Hospital de Câncer.
Graduada em administração hospitalar pelo Centro Universitário São Camilo, ela terminou a faculdade e foi requisitada para trabalhar no grupo.
O desempenho no início da carreira profissional lhe valeu o convite para assumir o comando administrativo da Unidade de Jales, o que significa comandar um exército de aproximadamente 350 funcionários além de 28 médicos sem contar os plantonistas.
A missão é árdua. Em 2017, o hospital realizou 46.588 atendimentos ambulatoriais, 7.974 pequenas e grandes cirurgias, 25.223 procedimentos da equipe multidisciplinar, 22.214 tratamentos quimioterápicos, 8.290 radioterápicos, 105 mil exames, 545 biópsias e 29.540 atendimentos no Centro de Intercorrência Ambulatorial. 

AME, SANTA CASA E VIGILÂNCIA
Também cabe a uma mulher, Fátina Módolo Cláudio, fazer andar o bem avaliado Ambulatório Médico de Especialidades (AME). Formada em Letras, com pós-graduação em Administração Hospitalar, Fátima dirige um contingente de 123 funcionais, 50 médicos, que atuam em 13 especialidades. Em 2017, o AME de Jales, fez 239.576 atentimentos entre consultas, exames e cirurgias ambulatoriais.
 Na Santa Casa de Jales, as mulheres também exercem funções estratégicas. A diretora clínica reeleita é a médica cardiologista Marlene Santos de Oliveira, nascida e criada em Jales, que coordena a ação de 75 médicos de 13 especialidades.
 Outra prata da casa, a médica Jaqueline Brasil Fernandes, é a diretora técnica do hospital. A função é relevante pois ela é incumbida de fazer a ligação do corpo clínico com a administração do hospital, aparando arestas e harmonizando procedimentos.
Cabe a mulheres a direção técnica de outras duas instâncias na saúde, ambas da rede estadual — a Vigilância Epidemiológica e a Vigilância Sanitária, a primeira sob a batuta da Sandra Roberta Alves da Cruz, enfermeira de formação, e a segunda entregue à responsabilidade de Magali Pigari Prata, farmacêutica.
De acordo com a Lei 8080/90, a Vigilância Epidemiológica é definida como um conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos”.
Já as ações de Vigilância Sanitária devem promover e proteger a saúde da população e serem capazes de eliminar, diminuir ou prevenir riscos à saúde e intervir nos problemas sanitários decorrentes do meio ambiente, da produção, da circulação de bens e da prestação de serviços de interesse da saúde.