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A taça que interessa

Editorial
17 de junho de 2018
Domingo, 3 de junho, um grupo de amigos reuniu-se no local de sempre para a chamada resenha semanal, ao longo da qual empresários e profissionais liberais liberam o estresse decorrente da atividade de cada um.
O telão do estabelecimento onde estavam começou a projetar imagens do último amistoso antes do início da Copa do Mundo entre Brasil e Áustria. O interesse em torno do jogo era quase nenhum. Nem os gols de Gabriel Jesus, Neymar e Philipe Coutinho foram capazes de tirar os presentes da animada conversa entre eles recheadas de cutucadas recíprocas.
Na terça-feira, 5 de junho, decifrou-se o enigma. Em manchete de quatro colunas no alto da capa, em duas linhas, corpo 50, o jornal Folha de S. Paulo rasgou a fantasia: “Maioria dos brasileiros não tem interesse na Copa”.
No texto, tão claro quanto a luz do dia, o jornal publicou no primeiro parágrafo: “as vésperas do início da Copa do Mundo da Rússia, o desinteresse dos brasileiros com a competição aumentou, aponta o Datafolha”.
No parágrafo seguinte, mais luz sobre o assunto: “Segundo pesquisa nacional feita semana passada, 53% dizem ser indiferentes à Copa. A marca atual é a pior às vésperas de um Mundial desde o início da série histórica em 1994. No final de janeiro, o desinteresse era de 43%.”
O Datafolha esmiuçou detalhes do desinteresse. A falta de animação é maior entre mulheres (61%), pessoas de 35 a 44 anos (57%) e os com renda familiar de até dois salários mínimos (54%).
Diante de tais números, as perguntas são inevitáveis: O que está acontecendo? O Brasil não é o país do futebol? A seleção de Tite, que está invicta, não é uma das favoritas ao título?
Nos três casos, a resposta é “sim”. Porém — e sempre tem um porém— no caso da apatia da maioria da população brasileira em relação à Copa do Mundo, o buraco parece ser mais embaixo.
Uma outra pesquisa  na mesma edição da Folha ajuda a entender o que está acontecendo. Sem manchete, publicada no pé da página 8, no corpo 36, o maior jornal do país informa: 45% estão otimistas com eleição, diz Datafolha. Em box ao lado da matéria, o resumo da ópera:45%  acreditam que o resultado das eleições fará a vida e a política melhorarem; mesmo percentual acha que políticos eleitos serão melhores.
 Ou seja, tais números deixam claro que o Brasil não é mais a pátria de chuteiras. E que a decisão de cada um ao clicar a urna eletrônica tem mais sentido do que simplesmente ficar comemorando gols de Neymar.
Trata-se de uma ótima constatação. Finalmente, os brasileiros estão entendendo que o futebol, por mais empolgante que seja, é apenas um jogo.
A taça que querem levantar é outra, em 7 de outubro.