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A subida da rampa

Editorial
19 de agosto de 2018
O que leva um candidato a presidente da República como o senador Álvaro Dias a cancelar a agenda que tinha em sua base eleitoral, o Estado do Paraná, para participar do lançamento oficial da candidatura a deputado estadual de um debutante nas urnas, o empresário Luis Henrique Moreira?
Talvez só o próprio presidenciável possa responder assim que desembarcar em Jales na manhã deste domingo, 19 de agosto. Mas, assim como na vida, nada acontece por acaso em campanha política, razão pela qual é possível especular. 
Como Álvaro Dias, que já foi governador e está no Senado há 40 anos, integra um partido considerado pequeno, o “Podemos”, ex-PTN, com pouco tempo de exposição no horário gratuito do rádio e da televisão, tudo indica que ele tenha sido convencido pela presidente nacional da agremiação, deputada federal Renata Abreu, a começar sua campanha no Estado de São Paulo por Jales com 50 mil habitantes, por uma razão estratégica: a excelente posição geográfica de nossa cidade.
Além de ter em seu entorno mais 22 municípios paulistas, Jales é ponto de convergência de moradores de cidades localizadas nos estados limítrofes como Mato Grosso do Sul, Minas Gerais e Goiás.
Seja qual for a motivação, o caso de Álvaro Dias não é o primeiro nem será o último, valendo a pena puxar pela memória alguns episódios que confirmam o que foi escrito no tópico anterior.
Por exemplo, lá atrás, em 1979, quando já tinha sido ungido como o representante do regime militar na disputa pela presidência da República no Colégio Eleitoral, formado só por deputados federais e senadores, o general João Baptista Figueiredo escolheu Jales para iniciar sua caminhada pelo Estado de São Paulo. Detalhe: ele não precisava de campanha nem de votos, já que o partido do governo tinha ampla maioria no Congresso.
Vinte anos depois, em 1998, o petista Luíz Ignácio Lula da Silva, também postulante à presidência da República, incluiu Jales em seu roteiro de campanha à frente da intitulada “Caravana da Cidadania”, reunindo correligionários e simpatizantes na Câmara Municipal. 
Mais recentemente, em 2010, foi a vez de Dilma Rousseff ignorar cidades maiores e fazer de Jales a plataforma de lançamento de sua campanha no interior paulista. Em 2014, candidata à reeleição, ela repetiu a dose. Venceu as duas eleições. 
Curiosamente, as duas concentrações pró-Dilma, realizadas no mesmo local, o Jales Clube, foram articuladas pela equipe do candidato a vice-presidente Michel Temer, do PMDB, hoje acusado pelos petistas de ser sido o “chefe dos golpistas”, debitando-lhe o comando da conspiração para apear do poder a “presidenta”, como ela gostava de ser chamada, via impeachment.
Assim, ao escolher Jales para ajudar a alavancar sua tentativa de subir a rampa do Palácio do Planalto, o candidato Álvaro Dias reforça a imagem de centro de região que a cidade sempre ostentou em termos de representatividade política.