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A saga são-paulina

por Lucas Rossafa
01 de outubro de 2017
Lucas Colombo Rossafa
Planejamento caótico, diretores tenebrosos, falta desequência positiva, desconfiança e defesa insegura são alguns dos pontos que caracterizam o São Paulo na temporada. Dos tópicos citados, os dois primeiros dificilmente são consertados com o ano em andamento,enquanto o restante apresenta solução, desde que haja treinamento e repetição.
Embora as 13 rodadas dentro da zona de rebaixamento possam ser explicadas pela combinação desses fatores, o futebol exibido pelos comandados de Dorival Júnior dá sinais de que a situação pode ser revertida. A melhora não impressiona, mas já é o suficiente para deixar o torcedor esperançoso, pois o que se via dentro de campo há 45 dias era sinônimo de pessimismo.
Antes de tudo, é necessário ter em mente que o objetivo derradeiro é a permanência na elite do futebol nacional. Nas redes sociais e em alguns programas esportivos, tem se comentado que o Tricolor pode sonhar com vaga na Libertadores. Isso porque o G-6 pode virar até G-9, caso haja uma combinação de resultados – a distância do São Paulo (17º) para o Atlético-PR (8º) é de apenas seis pontos, ou seja, duas rodadas.
O grande problema, no entanto, é que o único brasileiro tricampeão mundial não consegue emplacar uma sequência bacana para deixar o Z-4 e, enfim, sonhar com algo maior. A melhor série no Campeonato Brasileiro aconteceu, por enquanto, na segunda quinzena de julho, quando venceu dois cariocas – Vasco e Botafogo – e empatou com o Grêmio. Vale destacar que, nos três últimos jogos, o São Paulo também não foi derrotado, mas teve dois placares iguais, diante de Ponte Preta e Corinthians, e um triunfo sobre o Vitória.
Além disso, com ou sem Rogério Ceni, o sistema defensivo sempre esteve longe de transmitir segurança. Não à toa, trata-se do principal problema do time em 2017. Na competição por pontos corridos, o Tricolor não foi vazado em apenas cinco partidas das 25 disputadas– sendo quatro como mandante –, isto é, 20%. Por outro lado, dos 37 gols sofridos na competição, 13 aconteceram em casa, equivalente a 35%. Assim, escapar da zona da confusão passa, obrigatoriamente, pelo fortalecimento desse setor.
O lado positivo do mês de setembro foi a mudança de postura dos jogadores. Antes, frios e desmotivados. Agora, ao que tudo indica, os atletas perceberam que era preciso mudar a intensidade e alterar seus comportamentos habituais para sair dessa situação desesperadora.Taltransformaçãopassa pela presença de Hernanes, peça mais importante do elenco. Além da qualidade técnica incontestável, o camisa 15fez com que os companheiros entendessem o real tamanho da camisa branca, vermelha e preta.
Neste domingo, mais um capítulo da saga são-paulina será escrito. Em um Morumbi novamente lotado, o Tricolor enfrenta o Sport, outro adversário direto na parte debaixo da tabela. Se depender do retrospecto recente – dos últimos 18 jogos em casa, foram 17 vitórias e um empate contra os pernambucanos –, a saída do Z-4 acontece hoje. Para isso, manter a organização, a determinação e a agressividade das duas últimas apresentações é fundamental.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 3°ano de jornalismo da  PUC/Campinas)