jornaljales@gmail.com
17 3632-1330

A revolucionária

Editorial
20 de janeiro de 2019
Jandyra Graziani Polizio (dona Janda)
No imaginário popular a palavra revolução está ligada à ideia de alteração violenta nas instituições políticas de uma nação quase sempre desaguando em deposição de governantes.
Mas, revolução, no sentido figurado, segundo os grandes conhecedores da língua, pode ser traduzida como uma transformação profunda dentro de uma sociedade.
Por essa segunda definição não é nenhum exagero afirmar que a professora Jandyra Graziani Polizio, que viajou para o oriente eterno na última quarta-feira, dia 16 de janeiro, aos 100 anos, foi uma revolucionária.
Em um período em que não existia o Estatuto da Criança e do Adolescente coube a dona Janda liderar um movimento junto à comunidade jalesense que, em 25 de maio de 1965, resultou na instalação do Lar Transitório São Francisco de Assis. 
Apaixonada por crianças, ela mobilizou inicialmente senhoras da sociedade para, no tempo livre de cada uma, confeccionar roupinhas para bebês de famílias carentes. 
Depois, com o apoio incondicional do marido Osvaldo Polizio, encabeçou a luta para cuidar dos menores desamparados da cidade e região.
Para concretizar aquele ambicioso projeto era necessário um espaço. Foi quando Alcebíades Bernardo, o Bide, amigo de família, que tinha terras em Jales, disponibilizou três alqueires de uma chácara distante dois quilômetros do centro. 
Conquistado o espaço, eram necessários recursos para a construção de 22 casas de alvenaria com a infraestrutura adequada para receber o público-alvo das preocupações de dona Janda: crianças abandonadas, principalmente órfãos. 
Dona Janda não desanimou. Conforme seu relato à jornalista Ayne Regina no fascículo nº 29 do Projeto MEMÓRIA (Jornal de Jales.-junho/1997), ela criou o grupo “As Anônimas”, que visitavam a casa das senhoras da sociedade e as convenciam a deixarem de ir ao cabeleireiro ou à manicure naquela semana e doar o dinheiro desta vaidade para a campanha de construção.      
Com esta e outras campanhas nasceu o Lar Transitório São Francisco de Assis com 22 moradias, 157 cômodos, 30 dormitórios, 23 sanitários mais barracões e escola erguidos pela população jalesense. 
Reconhecido de utilidade pública municipal, estadual e federal, o Lar Transitório acolheu de recém-nascidos até crianças de várias faixas etárias, onde recebiam assistência e educação que os transformaram em chefes de famílias. 
Por todas estas razões, dona Janda merece ser chamada de revolucionária pois, ao erguer o que o diretor deste jornal chamaria anos depois de “Cidade dos Meninos”, ela mudou radicalmente o destino de várias gerações encaminhando-as para o caminho do bem.
Repouse em paz, guerreira.