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A retomada

Editorial
29 de julho de 2018
Em 1975, quando Jales tinha apenas 34 anos, uma devastadora geada praticamente dizimou os cafezais do município e da região mais próxima.
O efeito do fenômeno climático foi catastrófico. De um lado, a cultura do café era a base de sustentação da economia do município e, de outro, era na então próspera zona rural que morava metade dos habitantes de Jales.
Resultado: a geada colocou a cidade à beira do precipício, provocando reflexos diretos em todos os segmentos, principalmente no comércio. Até porque, em busca de melhores dias, boa parte dos moradores da zona rural, que faziam girar a roda da economia, procurou os centros industriais emergentes como Americana, por exemplo, para tentar refazer suas vidas. 
Não é nenhum exagero afirmar que Jales só não foi para o fundo do poço naquela ocasião porque a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, segurou a onda, mantendo na cidade milhares de alunos que aqui estudavam e acolhendo outras centenas em incontáveis “repúblicas”. 
Vale lembrar que na metade dos anos 70 não existiam escolas de nível superior nas vizinhanças como Fernandópolis, Santa Fé do Sul, Pereira Barreto, Auriflama e tampouco nas cidades limítrofes de Mato Grosso, na época ainda não dividido, Minas Gerais e Goiás.  Naquela época, só havia faculdade em São José do Rio Preto e Votuporanga.
Passou o tempo e em 1998, ao final de sessão magna de uma instituição filosófica de Jales, o saudoso João Maurício Alves, fundador e mantenedor da Universidade Camilo Castelo Branco (Unicastelo) perguntou ao diretor deste jornal: “onde anda o Soler? ”, referindo-se ao professor Oswaldo Soler, fundador da Faficle.
Foi lhe explicado que Soler estava exercendo temporariamente mandato de deputado federal pelo Estado de Mato Grosso. Foi quando João Maurício fez uma surpreendente revelação: “nos anos 70, éramos quatro empresários do ensino superior no Estado de São Paulo: Agripino Lima, em Presidente Prudente, Márcio Mesquita Serva, em Marília, eu em São Paulo e o Soler em Jales. E o mais forte de nós quatro era o Soler”.
Estes dois episódios relatados acima são emblemáticos do poder de fogo e da importância histórica da Faficle, que depois virou FAI-Jales e de uns tempos a esta parte se tornou Unijales.
Por que recordá-los? Porque o momento é oportuno. Na semana que passou, veio uma ótima notícia, a da autorização pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) para o funcionamento do curso de Direito na Unijales ainda este ano. Não faltou nem foguetório na manhã de quarta-feira. 
Os céticos de sempre poderão até dizer que, isoladamente, o funcionamento do novo curso é um fato corriqueiro na vida de um centro universitário.  
Porém, do ponto de vista histórico, o nascimento do novo curso comporta indiscutível simbologia.
Além de alargar os horizontes da quase cinquentenária instituição, a boa nova embute ainda amplas perspectivas de crescimento, retomando o processo que norteou sua criação nos anos 70, mantendo vivo o sonho dos pioneiros Oswaldo Soler e Ivone.