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A Redação do Enem: de lobo mau a “greencard” – 1

Por Ayne Salviano
08 de setembro de 2019
Ayne Salviano
O Ministério da Educação confirmou para os dias 3 e 10 de novembro as provas do Enem - Exame Nacional do Ensino Médio. A redação acontece no primeiro dia junto com as 90 questões de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, e Ciências Humanas e suas Tecnologias. O candidato deverá escrever uma dissertação argumentativa sobre um tema que seja de interesse da sociedade. Dos 2 mil pontos totais que os vestibulandos podem acertar no exame, só a produção textual vale 1 mil pontos, por isso é considerada, por muitos, “o lobo mau” da história. 
Mas esses candidatos não deveriam pensar assim. É justamente o contrário. Na verdade, conquistar uma nota acima da média nacional, que varia entre 500 e 600 pontos, pode garantir uma espécie de “greencard”, ou seja, uma passagem para a felicidade, que são as universidades públicas federais onde o ensino é de qualidade e de graça. Mas como tirar uma nota maior do que 600 pontos na redação do Enem? Existem estratégias que vou compartilhar na forma de dicas a partir desta semana. Minha esperança é que os leitores repliquem estes textos aos interessados na aprovação do Enem.
A primeira dica é: leia a proposta do tema com calma e mais do que uma vez. Grife as palavras-chave para ter certeza que responderá o que foi solicitado e não reduzirá nem extrapolará o tema, escrevendo menos ou mais do que se pede. Por exemplo, no tema de 2015 – A persistência da violência contra a mulher na sociedade brasileira - era fundamental que os candidatos não tratassem da violência, mas sim da persistência da violência. São aspectos diferentes, percebe?
Uma coisa é abordar a violência com a mulher. Outra coisa é entender que apesar das delegacias especializadas, da Lei Maria da Penha e da Lei do Feminicídio, os brasileiros insistem em violentar as brasileiras. Os candidatos também precisavam mencionar os vários tipos de violência contra as mulheres (físicas, sexuais, psicológicas, patrimoniais, entre outras) e não se concentrar em apenas uma delas (geralmente a violência física). Por fim, tinham de abordar a questão brasileira, ainda que outras mulheres pelo mundo passem pelo mesmo problema.
Parece simples, mas não é. A leitura errada da proposta pode comprometer o exercício a ponto de zerar a questão, o que indiretamente significa não ter chance de aprovação. Na próxima semana trarei outras dicas para a redação do Enem.

Ayne Salviano 
(Jornalista e professora de Redação. Mestre em Comunicação e Semiótica. Gestora do Damásio Educacional em Araçatuba)