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A “praia” de Jales

Editorial
24 de setembro de 2017
Quando, no início do ano, a administração municipal pleiteou a inclusão de Jales na lista dos Municípios de Interesse Turístico, não faltaram reações que variaram da incredulidade total às piadas e chacotas.
Perguntavam os incrédulos: se Jales não tem rios, ranchos nem praias (ou prainhas), como seus administradores podem querer algo que, na visão da maioria, não tinha nada a ver com a vocação e a realidade da cidade?
Talvez tais considerações fossem decorrentes da desinformação, eis que a definição de Município de Interesse Turístico é um pouco diferente de Estância Turística propriamente dita, como o são Santa Fé do Sul, banhada pelo Paranazão, e Olímpia, com suas águas termais.
Mesmo assim, a equipe de Flá e Garça, a partir de um audiovisual produzido pela Secretaria Municipal de Planejamento, foi em frente.
 Antes de outras considerações, é preciso definir como funciona este programa. Em princípio, qualquer cidade pode requerer o título do MIT, desde que tenha aptidão para o setor e atenda algumas exigências previstas na lei, como possuir meios de hospedagem no local ou na região, serviços de alimentação e serviço de informação turística. Também deve ter capacidade de atender a população fixa e flutuante, quanto ao abastecimento de água e coleta de resíduos sólidos. 
Os municípios também devem ter o Conselho Municipal de Turismo criado por lei específica e aprovada pela Câmara dos vereadores. Após a apresentação do projeto de lei, feita por meio de um deputado, a documentação da cidade é encaminhada para a Secretaria Estadual do Turismo.
A pasta e seus técnicos avaliam a validade da proposta. Se for aprovada, a Secretaria informa a Assembléia que pode votar o projeto. Aprovado o projeto, ele é encaminhado ao governador que a sanciona como lei.
Segundo tais pressupostos, a administração municipal já caminhou 80%, restando apenas o parecer técnico, a votação do projeto na Assembléia e a canetada do governador. 
Para quem levava na brincadeira a pretensão de Jales, dois eventos em setembro, com intervalo de 15 dias entre um e outro, mostram que a inclusão de Jales no MIT não é conversa jogada fora — a Feira de Agronegócio da Uva e do Mel (dias 1º e 2 de setembro) e a Festa das Nações (dias 15 e ‘6).
Foram duas mobilização de peso, uma remetendo à idéia do turismo rural e outra lembrando a universalidade, levando milhares de pessoas de Jales e região às duas principais praças da cidade: a João Mariano de Freitas, no centro, e a dr. Euphly Jalles, ao lado da Catedral.
Pelo grau de envolvimento dos “nativos” e principalmente dos “turistas”, ficou muito claro que a inclusão de Jales no MIT será uma questão de justiça.