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A partida de Bebeto, revolucionário do vôlei

por José Antônio Carvalho
18 de março de 2018
José Antônio Carvalho
A vida nos reserva sempre sequências inesperadas de surpresas. Algumas são alegres, outras nos provocam tristezas. Mas, todas elas nos agregam sempre alguma coisa.
A partida precoce do Bebeto de Freitas, revolucionário técnico da seleção brasileira de voleibol, responsável pelo reconhecimento internacional do nosso esporte, pela projeção do voleibol em nosso País, dinamizando o potencial de nossos atletas e fazendo ver a eles que o sonho poderia ser real, que tudo dependia (aliás como depende para a grande maioria) de muito trabalho, dedicação e esforço, faz com que fiquemos a imaginar a importância do trabalho de uma pessoa de princípios e que parte com a certeza de que seu plantio floresceu e poderá florescer muito mais.
Não posso afirmar que tive grandes contatos com o Bebeto de Freitas. Convivemos, e até conversamos amistosamente algumas vezes, ele como técnico, eu a princípio como Juiz de Linha e depois como árbitro, trabalhando em partidas (algumas até memoráveis, como os grandes confrontos entre a Pirelli e a Atlântica Boa Vista, da qual era o grande comandante), mas, posso garantir e afirmar categoricamente que ouvi de inúmeras pessoas, que ele sempre foi uma pessoa de inquestionável respeito até para os adversários, trabalhador e exigente como poucos e uma pessoa de gabarito moral irrepreensível. Sempre foi voz corrente que sua lisura e honestidade, além de sua competência e conhecimento técnico, eram irretocáveis.
Todos estes fatos foram e estão sendo exaustivamente comentados por ex-atletas, ex-dirigentes e por todos aqueles que conviveram mais intensamente com ele. Mas, não poderia me furtar a endossar também as afirmativas a respeito por ter ouvido sempre o que hoje está sendo dito e dar meu depoimento emocionado pela partida de um homem de tal estirpe. Além do voleibol, dedicou-se ao futebol como dirigente (foi presidente do Botafogo do Rio de Janeiro, se não me engano por duas vezes, e dirigente do C.A. Mineiro).
Projetou o nosso Brasil para o mundo do voleibol, proporcionando a muitos, inclusive a mim no setor da arbitragem, a possibilidade concreta de fazer valer o esforço do trabalho. Com a geração de prata do nosso voleibol, escancarou portas e janelas para que nossos potenciais atletas pudessem alcançar seus lugares de destaque. Enumerar atletas que ajudou a surgir seria “chover no molhado”, apenas para citar alguns poucos ficamos com Renan (hoje técnico da seleção principal masculina), com Bernard (com seu saque Jornada nas Estrelas), com Willian (o grande capitão), Xandó, Montanaro e tantos outros.
Bebeto parte com a certeza do dever cumprido e de haver deixado um legado como poucos para as futuras gerações. Que seus esforços, dedicação, crença na força do trabalho e correção nos princípios de honestidade e caráter não se percam na mediocridade e no mar de lama moral que enfrentamos nos dias de hoje.

José Antônio Carvalho 
(árbitro da Federação Paulista de Volleyball de 1.979 a 2013.
Árbitro da Confederação Brasileira de Volleyball de 1980 a 2008).
Árbitro da Federação Internacional de Volleyball de 1994 a 2008.