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A origem

Motor de Arranco (A origem do apelido)
24 de março de 2014

Como era costume da molecada da época do primeiro grupo escolar de Jales, todas as tardes jogávamos futebol na quadra de basquete ao lado do grupo, quadra esta que era de terra batida, o gol era o espaço que tinha entre dois troncos de madeira que sustentavam a tabela. Lendo a matéria do meu amigo Roberto Gonçalves “A Jales que vivi”, publicada no Jornal de Jales, me comoveu muito, pois Motor de Arranco era também para mim um amigo inseparável. Numa tarde em que jogávamos a nossa pelada de todos os dias em frente a casa que antes morava o senhor Duquinha, chega um caminhão de mudança, vindo de Piracicaba. Era mais ou menos 3 horas da tarde, quando um crioulinho que estava na carroceria saltou e veio correndo em direção à quadra e ficou ali, à beira do campo. Como ninguém dava bola para ele, o neguinho meteu as duas mãos no chão , e com o corpo ereto, pernas bem esticadas para cima, começou a dar voltas na quadra. Imediatamente paramos de jogar e ficamos admirando sua proeza e quanto mais nós gritávamos ai o neguinho corria mais ligeiro.
Foi quando eu, filho de pai caminhoneiro, gritei “este neguinho ta parecendo um motor de arranco”. A molecada toda em coro começou a gritar (Vai Motor de Arranco vai) e assim o Toninho cujo nome só os amigos mais intimo sabiam, mal tinha chegado em Jales, e ele ganhou este apelido que o tornou tão conhecido na nossa tão querida e pequena Jales.
Das proezas que o Roberto contou, testemunhei muitas delas, porque sempre o “Motor estava entre a gente”.
 Mas uma do “Motor de Arranco” o Roberto não contou. Sempre vinha a Jales o circo Alciate, que tinha o palhaço Mexerica, um dos melhores que passou por Jales e ficou muito famoso por aqui e fazia dupla no picadeiro com seu irmão Lolô. Sempre em dia de espetáculo, tinha a comédia “O casamento do Mexerica”, e o circo arrecadava vários brindes no comercio para sortear para a platéia. Imagine qual era o premio maior, uma leitoa bem gorda. O circo ficava superlotado, e da cabine do alto falante do circo, o locutor anunciava e imitava perfeito o grito de uma leitoa e chegou momento do picadeiro.
Mexerica anunciava o esperado prêmio a leitoa, e sorteou, “atenção o numero premiado é o numero tal”. O gajo todo contente que foi premiado desceu da arquibancada e no picadeiro todo alegre aguardou a chegada da sua leitoa, que veio num saco de estopa puxado por Lolô e Mexerica. O premiado abriu o saco, e quem saiu de dentro? O “Motor de Arranco”. A platéia veio abaixo, foi gargalhada geral e o “Motor de Arranco” abraçou o feliz ganhador .
“Motor de Arranco” é um dos tantos amigos de nossa infância, daquela Jales que jamais esqueceremos....

  Célio Soares de Carvalho  
 RG: 7822778