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A nossa camisa

Editorial
18 de março de 2019
Diferentemente do que aconteceu em nível federal quando senadores e deputados federais eleitos em 6 de outubro do ano passado foram empossados no dia 1º de fevereiro deste ano, os 94 deputados estaduais paulistas só assumiram as respectivas cadeiras na última sexta-feira, dia15.
Independentemente da importância do embate pela presidência do Legislativo estadual entre Cauê Macris (PSDB), que postulava a reeleição, e a novata Janaina Paschoal (PSL), campeã de votos na última eleição, uma pergunta não quer calar: quem vai representar Jales na Assembléia de 2019 a 2022?
 Embora não pareça, a pergunta tem tudo a ver. Afinal de contas, os candidatos a deputado estadual mais votados em Jales em 6 de outubro foram os pratas-da-casa Luís Henrique Moreira (Podemos), com 8.188 votos e também no pódio, em terceiro lugar, Delegado Sakashita (PHS), com 3.031.
Porém, apesar da surpreendente votação na cidade onde moram, nenhum dos dois conseguiu se eleger, o que, teoricamente, abre um vácuo na ligação direta entre o município e o governo.
Luís Henrique, ouvido pela reportagem do J.J., disse que vai se valer da aproximação com dois deputados estaduais eleitos por seu partido— Bruno Ganem, de Indaiatuba, e Márcio da Farmácia, de Osasco— além de Rafa Zimbaldi, de Campinas, do PSD, encaminhando-lhes as demandas de quem bater à sua porta. 
Quanto a Sakashita, ele informou que como seu partido, o PHS, conquistou apenas uma cadeira, o caminho será se valer da ligação com Luís Flávio Gomes (PSB), deputado federal eleito, com quem fez dobradinha.
A abordagem deste tema neste início de legislatura faz sentido na medida em que, historicamente, Jales sempre teve representantes na Assembleia Legislativa. 
Em 1968, por exemplo, o ex-prefeito Roberto Rollemberg se elegeu deputado estadual, mas foi cassado pela ditadura militar um ano e meio depois. Em 1974, o radialista e vereador Osvaldo Carvalho também chegou lá, mas faleceu meses depois da posse.
Mais tarde, em 1982, Rollemberg ressurgiu na cena política elegendo-se deputado federal, tendo como companheiro de chapa o ex-prefeito de Santa Fé do Sul, Edinho Araújo, que passou a ser, na prática, o deputado estadual da cidade.
A parceria entre ambos durou três legislaturas e só terminou em 1994, quando Rollemberg, derrubado por um câncer, não disputou o quarto mandato, falecendo no ano seguinte.
Depois dessa fase, Jales só voltaria a ter representação parlamentar direta a partir de 2002, quando uma filha da terra, Analice Fernandes (PSDB), nascida e criada em Jales, onde viveu até os 18 anos, elegeu-se deputada estadual e reelegeu-se quatro vezes, mantendo, em contrapartida, um escritório político em Jales.
Espera-se que ela, que iniciou o quinto mandato, continue vinculada à cidade natal e que, de quebra, o deputado Itamar Borges (MDB), que sempre teve portas abertas em Jales, faça sua parte.