jornaljales@gmail.com
17 3632-1330

A história que só Pelé escreveu

Por Eduardo Martins
01 de dezembro de 2019
Eduardo Martins
Campeão carioca, campeão da Libertadores e campeão brasileiro na mesma temporada. Parece impossível, mas o Flamengo provou ser real. Em um dos melhores anos de sua história, o Rubro-Negro garante os três títulos, atinge feito que só o Santos de Pelé havia conseguido e evidencia o domínio completo do futebol brasileiro.
Com planejamento impecável que permitiu a contratação de oito titulares só nesse ano em um elenco recheado de grandes jogadores, a equipe carioca conquistou o título continental de forma épica, enquanto no Brasileirão sequer precisou entrar em campo para ter a certeza que mais uma taça estava nas mãos.
Certamente o dia 23 de novembro de 2019 formou um novo ídolo para a torcida flamenguista. Apagado em uma final que o River Plate vencia por 1 a 0, Gabigol precisou de dois lances em três minutos para garantir o segundo título da Libertadores ao Flamengo, escrever seu nome na história e tirar o clube de uma seca de 38 anos.
Em uma equipe que tem no banco de reservas o trabalho espetacular de Jorge Jesus, no campo sobram craques que podem fazer a diferença a qualquer momento. Se Gabigol foi decisivo para o título continental, Bruno Henrique é o melhor jogador da América do Sul na temporada. Já Everton Ribeiro, Arrascaeta e Gerson não cansam de ser decisivos, e Diego é quem brilha quando o time mais precisa, como na histórica final de Lima.
Na defesa, o trabalho também é sensacional, mesmo com a rara falha de Filipe Luís no confronto com os argentinos. Rodrigo Caio tem temporada perfeita e merece oportunidades com o técnico Tite na seleção, e Pablo Marí parece ter nascido para jogar no Flamengo. No gol, Diego Alves passa experiência para o setor defensivo, enquanto Rafinha e o próprio Filipe Luís, são as cerejas do bolo de um elenco construído para vencer.
Um dos maiores nomes deste ano, Jorge Jesus provou ser muito superior a todos os técnicos brasileiros e merece todo reconhecimento. Comandante de um time que não rendia com Abel Braga no começo da temporada, o português fez o Flamengo entrar em campo com a essência do futebol pentacampeão mundial e provou que é possível conquistar títulos e fazer história jogando bonito.
O desafio agora é o Mundial de Clubes e a missão de vencer o Liverpool é duríssima. Para isso, o Flamengo precisa ir ao Catar com os pés no chão, pensar que antes de enfrentar os ingleses ainda tem uma semifinal, para depois encarar o time de Jürgen Klopp e tentar igualar o feito da equipe de Zico em 1981.

Eduardo Martins 
 (é jalesense, aluno do 3° ano de jornalismo da PUC-Campinas)