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A história da Santa Casa contada por seus colaboradores

por Luiz Ramires
25 de novembro de 2018
Da esquerda para a direita: Rosely Aparecida Soler da Silva, Yaeko Maenoçono Takehara, Ernesto Rodrigues de Jesus e Masako Uemura Garcia
Hoje a Santa Casa de Jales vive um período mais confortável, apesar de ainda enfrentar dificuldades para pagar suas contas todos os meses, mas não foi bem assim, ao longo da sua história que começou a há 60 anos, conforme se recordam alguns de seus colaboradores que estão há mais de 40 anos contribuindo com seus serviços para o hospital.
Como forma de prestar uma homenagem a esses colaboradores mais antigos, o Jornal de Jales ouviu quatro deles, que contam suas histórias, recheadas de lembranças de períodos diferentes que viveram no hospital.
Uma das pessoas ouvidas, Yaeko Maenoçono Takehara, de 79 anos, na verdade já não está mais na Santa Casa, pois no último dia 31 de outubro deixou o hospital, onde começou a trabalhar em 1973, inicialmente como contadora responsável, passando depois para a chefia do Departamento Financeiro. 
Ela lembra que no começo tudo era mais difícil. A Santa Casa tinha muitas dívidas, atrasava os salários dos servidores e pagamentos dos fornecedores, mas com o tempo, a situação foi melhorando, embora até hoje o hospital tenha que lutar muito para manter suas contas em dia.
Uma situação importante foi a dispensa e recontratação de todos os funcionários, para que os mesmos fossem incluídos no FGTS, a partir de maio de 1976. A contribuição passou a ser recolhida, enquanto era programado o pagamento da dívida que existia para com o fundo, acabando com um problema que vinha se arrastando há muito tempo.
Hoje a Santa Casa vive um período muito melhor e por ter passado por momentos mais difíceis, Yaeko destaca a compreensão e mesmo a solidariedade dos funcionários como um dos pontos positivos que contribuiu para que o hospital continuasse funcionando nesses 60 anos.

EQUIPE UNIDA
A chefe do Departamento Pessoal Roseli Aparecida Soler da Silva, tem 59 anos e trabalha na Santa Casa desde novembro de 1976. Ela lembra que foi contratada para cobrir férias, começando na farmácia e depois, a cada mês ou a cada período trabalhava em um lugar diferente, incluindo recepção, arquivo e outros departamentos.
Depois de passar por quase todos os setores, foi transferida para o Departamento Pessoal onde começou como auxiliar mas acabou sendo promovida para comandar o setor.
Roseli afirma que nesse período percebe um crescimento muito grande no relacionamento entre toda a equipe do hospital e destaca que a administração sempre deu condições para o crescimento profissional de cada um dos mais de 300 servidores registrados.
Roseli lembra que, se por um lado hoje a situação é bem melhor, por outro, é preciso mais capacitação da equipe para fornecer as informações necessárias para a população que está mais exigente do que antigamente, fazendo com que o hospital tenha que se estruturar cada vez mais para atender as suas novas necessidades.

CAMPANHAS
Ernesto Rodrigues de Jesus tem 62 anos e afirma que a Santa Casa faz parte sua vida, pois foi através dela, onde trabalha desde 2 de janeiro de 1978 que pode cuidar da família e criar suas duas filhas. Ele sempre trabalhou no Departamento de Compras, tendo acompanhado todas as mudanças neste setor desde aquele período quando era almoxarifado, controle de estoque e compras.
Este é outro segmento que também mudou muito e para melhor, pois hoje existem mais recursos para se fazer esse trabalho, inclusive com um portal de compras, com mais agilidade e que facilita bastante os resultados. Ernesto lembra ainda que atualmente existe uma comissão de compras para dar mais transparência às ações.
Hoje, como afirma, a Santa Casa de Jales está entre as melhores do país graças a um trabalho iniciado em 1982 quando houve a primeira participação da comunidade através de um estacionamento na FACIP. Em 2004, com a participação dos funcionários, o hospital começou um novo trabalho a partir de algumas campanhas com o envolvimento de toda a região.
Ernesto também destaca a união dos colaboradores que souberam enfrentar os períodos mais difíceis com companheirismo e paciência, com os administradores e provedores sempre dando oportunidade para o crescimento individual de cada servidor.

PAGAMENTOS
Masako Uemura Garcia, 66, começou a trabalhar na Santa Casa em 1974, no setor de faturamento, onde continua até hoje, mesmo depois de aposentada. É ela que faz o controle de gastos e recursos recebidos, administrando nada menos do que 18 convênios, com uma equipe de 11 pessoas.
A reestruturação do atendimento feito pelo SUS que dividiu os serviços prestados pelas Santas Casas e outros hospitais ne região fez com que o número de pessoas atendidas em Jales caísse de uma média de 1000 para cerca de 500 por mês, cobrindo basicamente 16 municípios o que também acabou contribuindo em parte para o equilíbrio das contas, como afirma Masako.
Ela também concorda que hoje é mais fácil administrar as contas de cada convênio que mesmo com algumas alterações que sempre acontecem, existem mais condições para gerenciar esse controle, como ela vem verificando nos demais setores.