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A fila tem que andar

Perspectivas por Rafael Honorato
29 de julho de 2018
Rafael Honorato
Nas campanhas eleitorais de todas as esferas – federal, estadual e municipal - os candidatos têm sempre como carro-chefe nas promessas geração de emprego para todas as faixas etárias, mas em especial aos jovens, que são como diz o jargão popular, o “futuro da nação”. 
Em Jales não é diferente. O município é centro de região, mas se não tiver oportunidade de emprego a oferecer aos jovens, eles vão sair desbravando terras distantes em busca de subsistência. 
Um número apresentado pela Supervisora do CIEE – Centro de Integração Empresa Escola em São José do Rio Preto, Daniela Sandrini, durante visita a Jales na última quarta-feira, dia 25, fez com que o sinal de alerta se acendesse. 
Hoje, quase 300 jovens participam dos programas dê “estágio” e “menor aprendiz” do CIEE na cidade. Se analisado de forma isolada o número é animador, mas se comparado com a quantidade que está na fila de espera percebemos que ainda falta engajamento de todos os setores no que diz respeito a inserção do jovem jalesense no mercado de trabalho. Ao todo, são cerca de 260 esperando por uma vaga. 
Segundo a supervisora, há 5 anos equipes do CIEE trabalham em Jales firmando parcerias com empresas que abrem as portas para a juventude. Mas as vagas efetivas começaram a ser preenchidas mesmo a partir de 2015, e, desde então, mais de 150 já receberam capacitação por meio dos programas do Centro. 
 No programa de “estágio”, o contratante não firma vínculo empregatício com o jovem. Já no programa “menor aprendiz” ele tem carteira assinada e todos os benefícios de um funcionário, mas seis vezes por mês deixa de trabalhar um período para receber capacitação nas áreas de comércio e administrativo. 
Para muitos empresários isto é visto como perda de dinheiro, pois estão pagando pra um jovem ser capacitado em vez de produzir. 
Durante solenidade na Câmara Municipal, quando as empresas que possuem em seus quadros jovens participantes dos programas do CIEE receberam certificados como forma de agradecimento, a fala de um jovem de 22 anos, que é natural de São Paulo e teve em Jales oportunidade de trabalho como menor aprendiz em uma loja de eletroeletrônicos soou como um apelo a todos aqueles que ainda resistem em implantar os programas em suas empresas. “Vim de São Paulo e sei o que é um jovem não ter trabalho. Muito obrigado a vocês que acreditam no trabalho do jovem. Essa oportunidade me transformou de menino em homem, um homem melhor a cada dia”, falou Anderson Bastos. 
A se julgar pela expressão facial das autoridades, empresários e representantes de entidades presentes, a fala espontânea do rapaz calou fundo em corações e mentes. Mãos à obra pessoal! 

Rafael Honorato 
(Jornalista)