Editorial

A fila andou

Quando a pandemia da Covid-19 deixou de ser, aos olhos dos brasileiros, apenas um problema de quem morava em Wuhan, na China, e passou a integrar o rol de preocupações dos brasileiros, estabeleceu-se uma gigantesca controvérsia em nível nacional.

Enquanto os mais renomados nomes da medicina e da ciência do Brasil alertavam para o que poderia acontecer caso providências urgentes não fossem tomadas, defendendo o isolamento social em forma de quarentena, martelando incessantemente o mote “fique em casa”, a maior autoridade do país, presidente Jair Bolsonaro, em tom de desdém, chamava o vírus de “gripezinha”.

Passados dois meses, os números falam por si. Mais de 135.106 infectados, 9.146 óbitos e rede hospitalar, principalmente nos grandes centros urbanos, à beira do colapso. E o que é pior: até os mais qualificados pesquisadores têm dúvidas sobre até quando durará o pesadelo.

Felizmente, em Jales, até o momento, a situação está sob controle, em grande medida pela mobilização de autoridades do Judiciário, criando o grupo de WhatsApp “Covid-19-Diálolgo”, integrado ainda por Executivo, Legislativo, Santa Casa, Ministério Público Federal e Estadual, Associação Comercial e Industrial, que se juntaram a lideranças comunitárias para estabelecer uma espécie de cordão sanitário.

No andar de cima, em Brasília, uma das preocupações foi com a sobrevivência de grande faixa da população impedida de trabalhar, o que gerou a iniciativa da concessão do Auxílio Emergencial.

O valor inicial proposto pelo governo federal foi de R$ 200,00, posteriormente elevado pelo Congresso Nacional para R$ 500,00 e finalmente fixado em R$ 600,00.

E foi aí que começou o bate-cabeça. Como fazer estes recursos chegarem às mãos de quem estava precisando deles? Foi um Deus nos acuda!

Para perplexidade de quem acorda cedo em Jales, filas gigantescas começaram a se formar diariamente nas imediações da agência da Caixa Federal, produzindo cenas de sofrimento e, em certa medida, até de humilhação.

Mais uma vez entrou em cena o espírito solidário do povo de Jales personificado na intervenção oportuna do padre Valdair Rodrigues, vigário da Catedral, situada exatamente em frente à agência da Caixa.

O apelo do sacerdote ecoou. Juntaram-se a ele a Prefeitura, Ministério Público Federal, Sabesp, Grupo Mãos do Bem e voluntários da Catedral. Paralelamente, a equipe de trabalho da Caixa fez a sua parte no sentido de agilizar o atendimento.

Felizmente, ao contrário do que ainda acontece nas grandes cidades, em Jales a fila andou!

Obs.: 11.168 mortes provocadas pela Covid-19 e 163.427 casos confirmados da doença em todo o país até este domingo (10).

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