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A falência do interior

por Lucas Rossafa
25 de março de 2018
Lucas Colombo Rossafa
Pela terceira vez nesta década, os quatro grandes clubes do estado alcançaram a semifinal do Campeonato Paulista. Com poder de investimento infinitamente superior às equipes do interior, Corinthians, Palmeiras, Santos e São Paulo conseguiram, apesar das dificuldades, chegar entre os quatro melhores – a exceção é o Verdão.
Embora o cenário não tenha se repetido em cinco, ainda é possível afirmar que as condições dos times menos tradicionais deixam muito a desejar. Na parte financeira, o poder de competitividade no mercado inexiste. Em relação à questão técnica, raros são os jogadores que conseguem se destacar, ganhar projeção nacional e manter a regularidade.
Tais diferenças trazem como resultado um estilo prioritariamente defensivo. A história recente fala por si só. Em 2012, o Guarani, sob comando de Osvaldo Alvarez, apostou na forte marcação e nos contra-ataques para segurar o Santos, na época com Neymar e Paulo Henrique Ganso. Sem sucesso. Duas vitórias sem sustos.
No ano seguinte, o Mogi Mirim, com estilo pouco menos marcador, foi o intruso e, por pouco, não eliminou o Santos. Em 2014, Ituano e Penapolense foram longe, apostaram nos erros dos adversários e colheram bons frutos. Enquanto o Galo foi campeão com Doriva, o time de Penápolis teve retorno financeiro ao negociar o volante Petros, atualmente no São Paulo, e o lateral-direito Rodinei, no Flamengo.
Em 2016, a grande – e agradável – ressalva. Nas mãos de Fernando Diniz, o Audax foi bem melhor do que o Santos, dominou as ações ofensivas, mas não levou o título por ironia do destino. Com os conhecidos Sidão, Camacho e Tchê Tchê, viu-se boas trocas de passes, triangulações, movimentações e tabelas em um grupo que jamais poderia ser credenciado como um dos favoritos.
Entre os times mais clássicos do interior, Ponte Preta, Guarani e Botafogo e Bragantino penam ano após ano. Má gestões, categorias de base deficitárias, péssimo planejamento administrativo e baixas condições financeiras tiram, gradativamente, o charme e o poder de competitividade dos pequenos.
Dificilmente, você, torcedor, poderá ver, na era moderna do futebol, uma agremiação abaixo tecnicamente dominar aquela considerada soberana. É nesta época da temporada, durante o Campeonato Paulista, que você nota o fim do futebol interior. Em uma selva, apenas os leões, os mais fortes ou os poderosos sobrevivem. E ninguém mais.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 4°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 
Twitter @lucas_rossafa
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