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A criança e os vilões da vez

Perspectivas por Jane Maiolo
29 de setembro de 2019
Jane Maiolo
O uso indiscrimado de eletrônicos é assunto ventilado na mídia de forma universal.
Os aparelhos eletrônicos são as babas do momento, o amigo da hora, o confidente fiel das novas e inquietas gerações.
Fato inconteste esse, pois, só no Brasil, temos hoje dois dispositivos digitais por habitante, incluindo smartphones, computadores, notebooks e tablets. Em 2019, o País terá 420 milhões de aparelhos digitais ativos. É o que revela a 30ª Pesquisa Anual de Administração e Uso de Tecnologia da Informação nas Empresas, realizada pela Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).*
De nada adianta a demonização das novas tecnologias, visto que a maior ameaça é a negligencia dos pais em acompanhar o uso das crianças por tais aparelhos.
Os pais, na verdade são os responsáveis por essa situação e não o mercado de produção de tecnologia, pois é responsabilidade do adulto permitir, coibir, dosar e controlar o uso desses “brinquedinhos irresistíveis”.
Essa cautela perante os filhos é mais um dever que o mundo contemporâneo nos impõe. E para que não despenhemos nos precipícios dos excessos e futuros caos é preciso informações sobre os efeitos de tais equipamentos sobre o cérebro infantil visto, que seu sistema nervoso central está em formação.
Sabemos hoje que o uso de tais tecnologias por crianças de zero a três anos pode atrasar a fala, e consequentemente trazer dificuldades no aprendizado e algumas complicações cognitivas como: diminuição da produtividade, memória claudicante, dentre outas.
 A criança muito pequena precisa de interações reais e humanas para perceber-se e conhecer-se. Precisa de cheiros, toques, vozes, sentimentos e energia de vida para moldar lhes o caráter do homem de bem. Ou seja: aparelhos eletrônicos de zero a dois anos nem pensar.
Dos três anos e meio aos cinco anos talvez, meia hora por dia! Dos seis aos dezesseis anos pode-se cogitar duas horas por dia.
O uso das tecnologias de forma indiscriminada pelas crianças e adolescentes tem refletidos no painel escolar, pois é possível verificar uma sonolência diurna, ansiedade e mais sinais de inadaptações sociais.
O papel desafiador é oferecer às crianças e adolescentes outros recursos prazerosos e interessantes como boas leituras, passeios ao ar livre, brincadeiras e um produto caríssimo que poucos parecem possuir: Tempo para investimento afetivo. Lembrar que existe cultura para tecnologias e existe cultura para o coração.
*https://eaesp.fgv.br/sites/eaesp.fgv.br/files/noticias2019fgvcia_2019.pdf

Jane Maiolo
(É professora de Ensino Fundamental, formada em Letras e pós-graduada em Psicopedagogia. Formanda em Psicanálise pelo Instituto Brasileiro de Psicanálise Contemporânea, Colaboradora da Sociedade Espírita Allan Kardec de Jales. Pesquisadora do Evangelho. Idealizadora do Simpósio anual Valorização à vida e projetos sobre Setembro Amarelo.[Janemaiolo@bol.com.br])