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A competência da nova geração

Editorial
10 de março de 2019
O caos em que vive o mundo e a situação adversa, radical e atrasada em que vivem os brasileiros tem jeito?
Muitas vezes nos defrontamos com comentários pessimistas que só aumentam esse desapontamento. Até podemos entender esses pensamentos derrotistas, pela conjuntura em que vivemos, mas isso só contribui para mostrar que ainda estamos longe de inverter tudo isso.
Será?
Jales tem quase 50 mil habitantes, uma cidade minúscula comparada às megalópolis onde se encontram os centros e equipamentos mais desenvolvidos do país, mas nada disso impede que daqui partam valores que acabam contribuindo para melhorar a vida até do planeta.
Não são poucos os exemplos retratados recentemente pelo Jornal de Jales de jovens que seguiram nessa direção. O mais recente está na página 7 desta edição: Jhonatan Fernando Ferreira, de apenas 20 anos, vindo de escola pública que depois de ser premiado com dois colegas por um trabalho de captação de água que ele apresentou em inglês, em Nova Iorque, acaba de apresentar o resultado de outra de suas pesquisas. Desta vez no Congresso Internacional de Direitos Humanos, na Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, uma das mais antigas do mundo. O tema? O genocídio, pelo Estado Islâmico, dos Yazidis, um povo curdo que vive em uma região fronteiriça entre a Síria e o Iraque.
Recentemente tivemos a inauguração do Projeto Sirius, o mais importante acelerador de partículas do mundo, onde um dos pesquisadores é o jalesense Fernando Henrique de Sá, que também veio de escolas públicas e foi motivo de duas reportagens do Jornal de Jales, onde fala do seu trabalho e da importância do projeto para a humanidade. Para se ter uma ideia do que significa um trabalho como esse, basta recordar que a web foi criada pelo físico inglês Tim Bernes Lee fazendo suas pesquisas utilizando um acelerador de partículas. 
Hoje o que mais se discute é a necessidade de alimentos e nessa área o Brasil é um dos principais polos de desenvolvimento do agronegócio do mundo, graças aos produtores e aos resultados das pesquisas no campo, como a que vem sendo desenvolvida por outro estudante jalesense Luiz Gustavo Moreti de Souza, também vindo de escolas públicas, inclusive a Unesp de Ilha Solteira e Botucatu.     Sua pesquisa, que foi destaque na edição do Jornal de Jales do dia 24 de fevereiro, é voltada para descoberta de novas bactérias para a produção de soja, um tema tão importante que lhe rendeu um final de doutorado no Netherlands Institute of Ecology, na Holanda, um dos institutos mais respeitados do mundo voltado para a ecologia.
Tantos cérebros como estes, citando apenas três dos mais recentes, sem sair de Jales, dá bem uma ideia do que está acontecendo no mundo e como deverá ser a vida no planeta nas próximas décadas. Isso sem contar o esforço de tantos outros, como Milena de Paula Farinelli de Lima, de 17 anos, que estuda 11 horas por dia para tentar uma faculdade pública de Medicina e afirma que a cada ano suas notas ficam mais próximas de atingir seu objetivo, inclusive com um 980 na última redação do Enem, como informamos, também na edição do dia 24 de fevereiro. 
Em um cenário como este não vale a pena ser um pouco mais otimista?