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8ª Missão UNIVIDA, uma experiência inesquecível

por Alessandro Martins Prado
29 de julho de 2018
Alessandro Martins Prado
Ter o privilégio de participar da 8ª Missão UNIVIDA foi uma experiência inesquecível que certamente marcou profundamente seus integrantes. O filósofo francês François-Marie Arouet, que utilizava o pseudônimo de Voltaire afirmou certa vez que “Todo ser humano é responsável do bem que não fez”, uma afirmação que certamente pode descrever o espírito da Missão UNIVIDA.
Por seu turno, como explicar um ser humano tão elevado como o Pe. Eduardo Lima, idealizador da Missão UNIVIDA? Como explicar uma pessoa que se esforça tanto para ajudar o próximo? 
Na Universidade da Califórnia, Kristen Monroe, realizou estudos para entender a razão de pessoas, muitas vezes, até mesmo se arriscarem para ajudar o próximo. Os estudos levaram em consideração o que foi denominado de “Psicologia dos heróis do Holocausto” e chegou à conclusão de que “[...] onde a maioria das pessoas vê um estranho, o altruísta vê um amigo em necessidade [...]”. Então, o herói de verdade são pessoas que se importam com seu próximo, mesmo não o conhecendo, revelando um alto teor altruísta e de compaixão. 
O verdadeiro herói se manifesta em homens como o Pe. Eduardo Lima que aplica com robustez os ensinamentos de Jesus Cristo e não mede esforço para ajudar pessoas em grave situação de vulnerabilidade como é o caso dos nossos irmãos indígenas. Assim, ouso chamar e reconhecer na pessoa do Pe. Eduardo Lima o altruísmo e espírito necessário exigido para os verdadeiros heróis, pois um homem que idealiza e executa a segunda maior ação humanitária envolvendo universitários do país só pode ser assim denominado.
Nestes sete dias que convivi com o Pe. Eduardo Lima e toda a comitiva de voluntários da 8ª Missão UNIVIDA me emocionei, precisei segurar o choro por muitas vezes pois estávamos em Dourados para servir, para levar um pouco de conforto ao próximo na máxima plenitude que as expressões, servir e confortar podem alcançar.
É preciso ser forte diante de tanto abandono, violência, miséria, ausência dos direitos fundamentais mínimos que parte da comunidade indígena convive e sobrevive, como alimentação regular, água potável, moradia, saneamento básico, saúde, etc.
No entanto, se por um lado a missão exige nossa dedicação, força e doação, por outro lado nos recompensa com uma sensação muito gratificante de poder servir e confortar pessoas que possuem tão pouco, mas que não deixam de ser um povo alegre e receptivo. 
Fomos recebidos no primeiro dia com muitos sorrisos, principalmente de mulheres e crianças, no entanto, no dia de ir embora, apesar da sensação de ter levado um pouco de conforto, ao menos por uma semana aos nossos irmãos indígenas, nos retiramos da escola que estivemos alojados com mulheres e crianças com expressões diferentes do dia que chegamos, era a manifestação de olhares tristes, manifestação de agradecimentos e pedidos para que retornássemos no próximo ano.
Foi possível observar ainda, a importância e dedicação dos alunos e professores, principalmente da área da saúde (dentistas, enfermeiros, psicólogos, médicos, fisioterapeutas, educadores físicos, etc). Vale registrar a enorme admiração que senti por esses profissionais e alunos, sempre os primeiros a iniciar as atividades da Missão e os últimos a terminar seus atendimentos, de forma ininterrupta e incansável.
Nós do Curso de Direito, por sua vez, ficávamos na retaguarda para ajudar no que fosse possível e orientar juridicamente os assistidos com relação aos seus direitos e garantias fundamentais e formas de concretizar referidos direitos por meio do auxílio da Defensoria Pública. 
Se faz necessário compreender a magnitude do que se tornou a Missão UNIVIDA. A Associação Humanitária Universitários em Defesa da Vida (UNIVIDA), é uma iniciativa do Padre Eduardo Lima, da Pastoral Universitária da Diocese de Jales e está em sua 8ª edição.
Trata-se da segunda maior ação humanitária envolvendo universitários do Brasil, ficando atrás apenas do Projeto Rondon do Exército brasileiro.
Essa edição contou com mais de 270 voluntários das mais diversas áreas e Universidades, incluindo Universidades do Estado de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, dentre outras.
Foi o primeiro ano em que uma Universidade do Estado de Mato Grosso do Sul participou da Missão UNIVIDA, por meio da UEMS, Unidade Universitária de Paranaíba, a despeito da ação humanitária ocorrer justamente neste estado, na Reserva Indígena de Dourados, JAVY A PORÃ.
Além dos 14 mil indígenas da Reserva JAVY A PORÃ, a Missão UNIVIDA é rigorosamente organizada pelo Pe. Eduardo de Lima, ao ponto de atender inúmeros assentamentos e comunidades indígenas de toda a região próxima a Dourados.
Neste ano foram arrecadados alimentos, cobertores, roupas, brinquedos que preencheram um caminhão Bi trem e um caminhão baú. Algumas universidades realizaram fortes campanhas de arrecadação de doações como é o caso da UNIFUNEC e UNIFAE, dentre outras. 
Vale destacar que a questão indígena do Estado de Mato Grosso do Sul é considerada, “A maior tragédia humanitária indígena do Planeta” segundo a Procuradora Federal dos Direitos do Cidadão Deborah Macedo Duprant de Brito Pereira.
Além disso, o Ministério Público Federal, recentemente, classificou a situação dos indígenas do MS como a “Faixa de Gaza brasileira, em razão do altíssimo índice de mortes violetas dos indígenas do Estado de Mato Grosso do Sul, com índices de assassinatos por 100 mil habitantes que superam as mortes de países que passaram por Guerra como Iraque e Afeganistão.
A alusão `a Faixa de Gaza é compreensível na medida em que o avanço do Agronegócio no Estado de MS provoca um conflito de interesses na homologação das Reservas Indígenas que deveriam ter sido estudadas, criadas e homologadas no prazo máximo de 10 anos da promulgação da CF/1988. 
No entanto, iremos registrar em outubro deste ano o aniversário de 30 anos de referida Carta Magna, mas, estamos muito longe de resolver a questão indígena. A bem da verdade, o avanço do agronegócio provoca um ciclo de violência contra os povos indígenas de todo o país, mas, em especial no Estado de Mato Grosso do Sul justificando a classificação tanto como a Faixa de Gaza brasileira, como também, de a maior tragédia humanitária indígena do planeta, devidamente citadas acima.
Diante de todo o exposto, podemos compreender a importância do projeto humanitário criado pelo Pe. Eduardo Lima e viabilizado pela Pastoral Universitária da Diocese de Jales, com robusto empenho na organização de tamanha ação humanitária que só perde em tamanho, no Brasil, como dito antes, para o Projeto Rondon do Exército brasileiro.
Muito obrigado Pe. Eduardo Lima, pelo privilégio e oportunidade de ter contribuído com essa grandiosa Missão.

Alessandro Martins Prado
(Docente da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul
Mestre em Direito/Tutela Jurisdicional no Estado Democrático de Direito
Líder dos Grupos de Pesquisa CNPq: “Direitos Humanos no Estado Democrático de Direito, interdisciplinaridade e efetivação possível” e “Direitos Humanos e Desenvolvimento Sustentável”)
http://lattes.cnpq.br/4197914837156225