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8 de março: DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Dom Demétrio Valentini
08 de março de 2018
Dom Demétrio Valentini

Dia oito de março é o Dia Internacional da Mulher. O fato de ser, a cada ano, celebrado com mais intensidade, é sinal que ele levanta causas importantes, que precisam ser assumidas pela sociedade, e integradas na cultura dos povos.

         Por muito tempo pesou sobre as mulheres uma carga de preconceitos, que aos poucos precisa ir sendo removida. Foi só a partir de 1930, por exemplo, que no Brasil as mulheres puderam votar. A desproporção ainda existente nos quadros políticos, que apresentam uma presença ainda muito reduzida de mulheres, mostra como os preconceitos arraigados na mente das pessoas e na cultura dos povos, demoram para serem superados e erradicados. Para acelerar este processo, a lei estabelece, por exemplo, que os partidos políticos garantam um espaço mínimo de trinta por cento de candidaturas femininas.

         Mas o leque de direitos, que devem ser progressivamente aceitos e implementados, é ainda muito grande.

         Em primeiro lugar, é preciso que se reconheça a igualdade de direitos entre homens e mulheres, começando por reconhecimento da mesma dignidade humana que toda mulher possui.

             E´ deste reconhecimento que aos poucos vai se abrindo espaço, para que a mulher possa marcar sua presença, tanto na sociedade como na Igreja.

         Como a Igreja é portadora de uma longa história, não é de estranhar que em sua tradição ainda persistam posturas preconceituosas contra as mulheres. Fica muito estranho quando se nega às mulheres a função de preparar a mesa do altar, quando em casa são elas que preparam a mesa da família!

         Neste sentido, a sociedade caminhou mais depressa do que a Igreja. Pois bem, a Igreja precisa aprender da sociedade. Ainda mais em questões que envolvem dimensões culturais.

         A Igreja tem a missão de evangelizar a sociedade. Mas a sociedade também pode evangelizar a Igreja. O Espírito Santo atua onde quer, também na sociedade. Esta pode se tornar uma referência segura para a Igreja para avançar na superação dos preconceitos que ainda persistem contra as mulheres.

 Dom Demétrio Valentini (bispo emérito de Jales)