quarta 14 abril 2021
Arquibancada

50 tons de vermelho

O Santos, mais uma vez, voltou a fracassar na Copa do Brasil. O pífio desempenho diante do Internacional eliminou qualquer possibilidade de título na temporada, escancarou a má fase de Lucas Lima, além de evidenciar os problemas apresentados pela equipe quando tem o domínio da bola.
Apático, o Peixe teve uma noite para ser esquecida – tecnicamente falando – no Beiro Rio. Apesar da goleada na posse da pelota, o Alvinegro não teve objetividade. Poucas finalizações, ausência de velocidade na construção das jogadas, dificuldade na transição da defesa para o ataque, troca de passes sem finalidade e uma defesa confusa nas poucas vezes em que foi exigida.Faltou de tudo, é verdade, em Porto Alegre, e ninguém se salvou. É preciso, agora, tirar lições da eliminação.
Vaiado desde a escalação, Lucas Lima foi o centro do jogo da equipe, o que não é novidade. Tentou de tudo, mas não fez a diferença para garantir a classificação. Até deixou Ricardo Oliveira em condições claras de finalização, mas não deu certo. Quando tentou finalizar, pecou na pontaria ou na força. O camisa 10, aliás, perdeu a regularidade. E há razões de sobra que expliquem a queda de rendimento do atleta. Primeiro, as convocações de Tite. Como é reserva da Seleção, o armador perde ritmo de jogo e tem a sua condição física prejudicada, já que os treinamentos são menos intensos. Quando retorna, precisa de tempo para voltar à normalidade. Depois, as lesões musculares, que o afastaram do gramado em duas oportunidades na atual temporada, além da entorse no tornozelo, em maio.
O revés por 2 a 0 para os reservas do Colorado eliminam as chances de título no ano. Mesmo que ainda restem sete rodadas e a distância para o líder Palmeiras seja de nove pontos – ainda há o confronto direto entre os dois na Vila Belmiro –, as possibilidades foram minadas. É claro que há chances matemáticas, mas a forma pela qual o Verdão e o Santos se apresentam não transmite confiança em uma possível recuperação. Nos últimos 11 jogos, foram apenas duas derrotas (a outra foi para o Sport, também com um futebol pragmático). Nas seis vitórias, por sinal, foi mediano na questão técnica.
A cor vermelha é a que se destaca em mais tons no momento. Enquanto os gaúchos estão vermelhos de alegria e focados no clássico deste domingo, os santistas estão vermelhos de preocupação e com a obrigação de conquistar uma vaga direta na próxima Libertadores. O sinal de alerta está ligado na Baixada.
Em relação ao atacante Keno, reforço palmeirense, a negociação já era tratada com pessimismo dentro da comissão técnica santista, quando visitei o CT Rei Pelé, no início da semana passada. O Santos ofereceu R$ 120 mil mensais, R$ 30 mil a menos do que recebe no Santa Cruz. Como Modesto Roma Júnior tem feito em sua gestão, não entrou em leilão pelo atleta. O que fica de aprendizado? Para um clube que vive sérias dificuldades financeiras e não tem, ainda, dinheiro em caixa, é preciso aprender negociar em silêncio, sem vazamento de informações, a fim de não ser atravessado por rivais. E não aprenderam ao perder Marquinhos Gabriel para o Corinthians em abril...

 Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 2°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 

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