Arquibancada

22 vezes Santos

Depois de o Audax assustar os outros três grandes clubes do estado, coube ao Santos mostrar que tradição e camisa ainda fazem a diferença. Em sua oitava final seguida de Paulistão, o Peixe precisou de humildade para mudar a sua estratégia de jogo e conquistar a 22ª taça do torneio.
Quem se acostumou a ver o Alvinegro sufocando os rivais em casa se assustou. Não me recordo, em curto prazo, de um jogo em que o Santos esteve com uma posse de bola tão inferior ao do adversário. Na decisão, pesou a eficiência, que faltou em Osasco, além da superação. Sem poder de criação no meio-campo, restou aos santistas se desdobrar na marcação e explorar o contra-ataque, arma poderosa desde quando Dorival Júnior assumiu o clube.
Na Vila Belmiro, o time do litoral atacou e se defendeu como nunca. O DNA ofensivo, sobretudo pela ausência de Lucas Lima, não foi notado, enquanto os diversos problemas na retaguarda – com Gustavo Henrique e David Braz – foram deixados de lado. Uma partida impecável da dupla!
Dorival, assim como o elenco, tem seus méritos. Após as brigas contra o rebaixamento no futebol carioca e no Palmeiras, o araraquarense buscou cursos, melhorou o modelo de jogo e aprimorou os treinamentos. A modificação na maneira da equipe dele atuar é clara. Além disso, soube usar os jovens jogadores quando precisou e teve méritos de remontar a equipe, apesar das perdas de Marquinhos Gabriel e Geuvânio.
Ser campeão é o que há de mais importante na vida de um clube. De Estadual a Mundial: o fundamental é encher a galeria de troféus. Agora, no século XXI, são doze títulos, sendo sete estaduais. Não sou hipócrita em dizer que o santista se cansou do Paulistão, mas quer taças nacionais. Porém, lidar com a perda de jogadores convocados para as seleções olímpica e principal do Brasil não será fácil. É preciso agir rápido para compensar as ausências, já que o elenco é limitado.
Já o time osasquense jogou como time grande na Vila Belmiro. Uma campanha estupenda, que engrandeceu o título do rival.Das últimas 28 partidas na Baixada, os comandados de Fernando Diniz foram os que chegaram mais próximo de sair com um triunfo. Posse de bola (67%), troca de passes e muita movimentação foram características evidentes nos vice-campeões. Não se intimidaram contra os grandes e só não ficaram com a taça porque pecaram nas finalizações.
Acredito que o Santos mereceu ficar com a taça. Além de ter perdido um único jogo na competição – 2 a 0 para o RB Brasil, em fevereiro –, foi capaz de vencer, mesmo com muitas dificuldades, a sensação estadual. Não vejo, como alguns, que o resultado foi injusto. O Audax criou muitas oportunidades de gol, mas o Peixe mostrou poder de decisão.
Assim como em 2015, o time denominado “sem torcida” ou “quarta força do estado” fez a festa em maio. Parabéns, finalistas. O futebol, na verdade, é que sai com a taça.

Lucas Colombo Rossafa
 (jalesense, aluno do 2°ano de jornalismo da  PUC/Campinas) 

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