quarta 14 abril 2021
Política

por Luiz Ramires
 
Foi uma briga política entre o PT e o DEM e quem acabou perdendo foi o PSB. Assim o vereador Rivail Rodrigues Júnior, o Júnior Rodrigues, definiu a situação que o tirou da eleição que já estava acertada para a presidência da Câmara em 2016. “Nós não podemos falar mal dos políticos lá de cima porque teríamos que olhar para o próprio umbigo” afirmou, logo depois da reeleição do presidente Nivaldo Batista Oliveira (DEM), rompendo um acordo assinado em 1º de janeiro de 2013. 
Júnior Rodrigues não poupou críticas aos colegas que romperam o acordo. Para ele, virar a mesa de última hora é coisa da política de década de 1940. Ele disse que até poderia concordar se houvesse uma discussão antecipada de uma situação que poderia implicar em mudanças. 
Na sua avaliação, não é assim que se faz política no bom sentido. Júnior Rodrigues também disse que mesmo como empresário, estava disposto a permanecer quatro horas diárias na Câmara, exigência que normalmente não é cumprida.
 
VOTAÇÃO
Além de Tiquinho para presidente foram eleitos Tiago Abra (SDD) vice-presidente, Pérola Fonseca Cardoso (PT) 1ª secretária e Fagner Amado Pelarini, o Nenê do Pet Shop (PRB) 2º secretário.
Votaram em Tiquinho os vereadores Claudir Aranda (PDT) Nenê do Pet Shop, Luís Rosalino e Pérola (PT), Sérgio Nishimoto (PTB) e Tiago Abra. Tiquinho, como havia afirmado em várias entrevistas, deu seu voto para Júnior Rodrigues, junto com o próprio, Jesus Martins Batista (DEM) e Gilberto Alexandre de Moraes (DEM).
 
ROMPIMENTO
O objetivo do rompimento do acordo foi tirar o DEM da Mesa da Câmara, segundo afirmou o vereador Luis Rosalino.  Ele disse que embora sendo do DEM, Tiquinho continuou na presidência e acenou com a possibilidade de haver alguma mudança, o que teria contribuído para sua continuação.
Tudo começou, segundo Rosalino, com uma afirmação do vereador Gilberto Alexandre de Moraes de que ele teria dito que houve pressão do gerente regional da CDHU, Flávio Prandi Franco, o Flá, para que os vereadores do DEM votassem pelo parecer do Tribunal de Contas, referente às contas do ex-prefeito Humberto Parini e que na verdade teria como alvo o ex-vice-prefeito Clóvis Viola.
Nos bastidores, porém, circulavam outras versões que colocariam a fala de Gilberto com mero pretexto para o que aconteceu, envolvendo em “mistérios” as articulações que teriam acontecido fora dos limites do Legislativo e que acabaram virando o jogo contra Júnior Rodrigues poucas horas antes da sessão. Uma dessas versões era que a vereadora Pérola Fonseca Cardoso (PT) estaria sendo excluída da Mesa Diretora pelo DEM e o seu partido resolveu dar o troco, incluindo Júnior Rodrigues. Outra é que estaria em andamento um arranjo político visando as próximas eleições municipais em outubro e que envolveria uma articulação com o presidente Tiquinho, inclusive com a possibilidade do mesmo mudar de partido.
 
RASTEIRA
Tiquinho negou articulações para deixar o DEM afirmando que, no momento, seu candidato a prefeito é Flá. Ele defende uma união entre Flá e o prefeito Pedro Callado para as eleições municipais e disse que só sai do DEM se for para ajudar na candidatura de Flá e para o bem da cidade.
O grande prejudicado nessa história, segundo Tiquinho, foi Júnior Rodrigues, que levou uma rasteira dos colegas. Ele disse que fez sua parte, respeitando o acordo e, ao mesmo tempo, agradeceu a confiança dos seis que votaram nele. “Eles poderiam votar em um deles, mas confiaram no meu trabalho que eu pretendo continuar em 2016, da mesma forma como me conduzi este ano”, afirmou.
 
ACORDO
Quando soube que o acordo assinado em 2012 seria rompido, Gilberto tirou cópias do documento, e distribuiu entre os presentes e leu durante o seu duro pronunciamento quando criticou o rompimento para depois exigir que fosse feita a leitura da ata da sessão que tinha terminado, antes do início da sessão marcada para a eleição da nova mesa.
Pelo acordo, seis vereadores que integravam o grupo formado pelo DEM, PT e PSB, se comprometeram em votar em Pérola para presidir a Câmara em 2013, Gilberto em 2014, Tiquinho em 2015 e Júnior Rodrigues em 2016.  Assinaram o documento Gilberto, Jesus, Tiquinho, Júnior Rodrigues, Pérola e Rosalino, além dos representantes do DEM, PT e PSB que participaram da reunião.
 
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