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Relatório da Comissão de Ensino Superior já está com o prefeito
23 de novembro de 2015
por Rafael Honorato
 
 
Autoridades educacionais e integrantes da Comissão de Ensino Superior participaram da entrega do relatório
 
 
 
 
A Comissão de Ensino Superior, uma das criadas pela administração municipal para planejar ações visando o desenvolvimento do município, entregou seu relatório ao prefeito Pedro Callado, no dia 14 de novembro, antecipando-se às demais que deverão fazer a entrega na próxima quarta-feira, dia 25. Com 170 páginas, o relatório incluiu como uma das suas propostas mais importantes a união das três instituições de ensino superior da cidade, conforme o Jornal de Jales informou na edição passada.
Outra contribuição importante incluída no relatório deverá ser o resultado de uma pesquisa realizada com os diretores de escolas de Jales, Santa Fé do Sul e Palmeira d’Oeste, coordenada pelo professor doutor Domingos Freitas Filho, que teve a colaboração da diretora da Fatec, Andrea Silva e dos professores mestre Alexandre Bernardes, coordenador do curso de Sistemas para Internet da Fatec e Rogério Alves dos Santos Antoniassi, orientador de estágios do mesmo curso e responsável pela encaminhamento dos questionários da pesquisa. Garça também destacou além o apoio da dirigente regional de ensino Marlene Jacomassi. A pesquisa procurou fornecer um diagnóstico mostrando a intenção dos estudantes do ensino médio em relação aos cursos superiores de sua preferência, para que se possa planejar novos cursos 
O relatório também sugere a criação de um conselho intermunicipal voltado para a área de educação. São sugestões que podem não ser realizadas agora, mas o importante é que não fiquem na gaveta, como afirmou o professor Domingos.
 
CARÊNCIA
A falta de cursos superiores em Jales faz com que mais de 700 estudantes viagem todos os dias para estudar em faculdades da região, como destacou o prefeito Pedro Callado, lembrando que a proposta do grupo também é oferecer educação de boa qualidade para os estudantes de Jales e das cidades vizinhas, pois esta é a melhor forma de se promover a inclusão social.
 
PROFESSOR DOMINGOS:
 
“Pouco compromisso e muita promoção pessoal até agora”
 
Um dos maiores colaboradores na elaboração do relatório da Comissão de Ensino Superior, o professor doutor Domingos Freitas Filho deu uma entrevista ao Jornal de Jales, mostrando-se pessimista em relação ao desenvolvimento desse segmento no município, com muita gente que não entende do assunto, mas se atreve a atuar nessa área. O que falta, na sua avaliação, é comprometimento das pessoas ligadas ao setor, onde existe pouca participação e interesse, o que aconteceu, inclusive durante a elaboração do relatório.
 
J.J.  - O senhor cobrou muito no que se refere ao planejamento do ensino. O que falta?
Professor Domingos – Tudo. Gente competente, que gosta de estudar, que entenda de planejamento e que entenda de educação. Tem muito empresário que não entende nada de educação e está na área. Tem muitos funcionários públicos, pessoas concursadas descomprometidas. Falta realmente comprometimento de quem dirige a educação, de quem dirige o poder público, comprometimento e não promoção pessoal. 
 
J.J. - Faltou comprometimento de algumas instituições da cidade durante a elaboração do relatório?
Professor Domingos – Sim, faltou um pouco mais de presença, participação e interesse. 
 
J.J. - O senhor acredita na instalação de uma universidade pública em Jales?
Professor Domingos – Há muita conversa fiada, muita conversa mole. Eu já participei da comissão anterior, na época do Parini, todo esforço que ele fez, que a professora Élida fez. Nós tínhamos a comissão, fizemos o estudo, fomos a São Carlos, Brasília e o que recebemos foi muita promessa, muita coisa de política partidária, ideológica. Eu não acredito mesmo. Torço para que aconteça, estou à disposição no que precisar, mas enquanto essa corja estiver no poder eu não acredito. 
 
J.J. - O que precisa ser feito para que realmente venha uma universidade pública para Jales?
Professor Domingos – Primeiro o planejamento, vamos ser coerentes. A cidade precisa dizer o que tem, o que precisa, que soluções buscar. Quando a comunidade deixar de ficar atraindo, com atitudes meio mágicas, como se tivessem um poder de atrair as instituições, isso não existe, esse poder de atração das instituições. Quando se fala em planejamento para a vinda, é necessário saber quantos alunos em potencial nós temos, quais são as profissões que estamos carentes, quais profissionais que estamos carentes, e assim por diante. Quer dizer, é muito improviso, as pessoas que entendem de educação são pouco ouvidas. 
 
J.J. O senhor acha que Jales tem potencial para receber uma instituição de grande porte?
Professor Domingos – Não. A população precisa discutir isso, as pessoas ligadas à educação precisam conhecer a nossa realidade. Trazer uma instituição só para enfeitar a cidade com mais uma instituição federal, isso soa engraçado até. Só para dizer que tem Justiça Federal, Policia Federal, Universidade Federal, daqui a pouco vão querer mudar o nome da cidade para Jales Federal, isso é ridículo. A comunidade precisa estudar, se conhecer, saber o que precisa, para depois batalhar, planejar, e aí sim falar: O perfil da instituição que nós queremos é esse. Os cursos que nós precisamos são esses. E não simplesmente ficar fazendo essa competição de que porque Santa Fé tem, Votuporanga tem, se tem é porque planejaram. 
 
J.J. - Em sua opinião há competição entre as cidades da região?
Professor Domingos – Lógico que há. Um fica torcendo pro outro dar errado. Quem não sabe que Jales torce para a Instituição de Fernandópolis afundar? Eu falo isso e repito, o pessoal torce sim, erroneamente. Acho que o Altino colocou muito bem, nós não temos que torcer contra ninguém. Temos que torcer para que Fernandópolis tenha boas instituições, e tem, assim como Santa Fé. Nós temos que cuidar do nosso quintal. Uma elitizinha pensando em coluna social, etc. Falta sangue, suor, esforço, pra conhecer a nossa realidade. Essa base de dados que nós criamos, eu duvido que dez pessoas vão ler ela por completo, eu duvido e lanço o desafio de que dez pessoas vão ler as 170 páginas de gráficos, tabelas, etc, que são os indicadores das carências da educação superior da nossa região, eu duvido.