jornaldejales@melfinet.com.br
17 3632-1330

Jalesense defende no Senado disciplina de Legislação e Política no ensino médio
09 de novembro de 2015
por Luiz Ramires
 
  Afirmar que as dificuldades do país se devem principalmente à falta de conhecimento político e das leis pela população não é novidade. O problema é como resolver essa situação. Uma das soluções pode ser a inclusão desses temas como disciplina para os estudantes do ensino médio de todas as escolas. Pelo menos é assim que pensa a estudante Lana Lima de Oliveira, da 1ª série do ensino médio da Escola Estadual Carlos Arnaldo Silva (Prata) que já apresentou um pré-projeto com a proposta para ser votado no Senado.
Lana não precisou colher assinaturas para que seu projeto fosse apresentado. Como vencedora do concurso Jovem Senador, em nível estadual, ela tem o direito de encaminhar sua sugestão que estará defendendo em Brasília, nos dias 16 a 20 de novembro, junto com os vencedores dos concursos nos demais estados.
Lana disse que quando recebeu o convite para fazer uma redação para participar do concurso, junto com os demais colegas da classe, ficou com medo, pois os estudantes não têm contato com as leis. Ela começou pesquisar, quando surgiu a idéia de apresentar uma proposta de projeto, pois como afirmou, a política é cheia de burocracia e vocabulários de difícil entendimento para quem não tem conhecimento específico sobre política.
A questão é tão complicada que Lana chega a afirmar que conhece pessoas que não sabem a diferença entre presidente, deputado e senador. Assim, ela propõe uma disciplina que ensine o que é a política, como ela funciona, como são feitas as leis e o que elas representam para a população.
Este ano o concurso Jovem Senador teve como tema, definido pelo próprio Senado, “A política nos tempos das redes sociais”. Lana aproveitou para fazer uma redação focando as manifestações de rua convocadas pela internet para falar da grande capacidade de mobilização virtual para eventos como aqueles. As dúvidas que ela teve quando precisou escrever sobre o assunto a levaram a propor que se ensine política nas escolas, pois como afirmou, essas dúvidas são de todos e não só dela.
 
IMPORTANTE
 
Além aprender sobre as leis e a política, o projeto de Lana, se for aprovado, deverá contribuir para que os estudantes do ensino médio possam ter conhecimento sobre seus direitos e passem a defendê-los, como afirmou o diretor da escola, professor Luís Especiato.
Luís lembrou que quando era vereador e presidente da Câmara, criou um projeto denominado Parlamento Jovem, nos mesmos moldes do Jovem Senador, mas que só chegou a ser executado naquele ano, quando as escolas apresentaram 30 projetos, dos quais foram escolhidos os 10 considerados melhores, cujos autores passaram a ser os vereadores mirins. Nos anos seguintes, o projeto não foi executado, segundo Luís, por questões políticas, pois alguns vereadores acharam que ele teria muita visibilidade.
Luís lembrou que a EE Carlos Arnaldo Silva sempre teve muitas dificuldades por ser uma escola carente, mas vem se destacando pelo incentivo à participação dos alunos, apresentando resultados como o de Lana e dos estudantes Jhonatan Ferreira, Wigor Ribeiro e Raphael Casagrande pelo trabalho que desenvolveram na área do meio ambiente, sobre reaproveitamento da água e que acabou conquistando menção honrosa na Feira de Ciências de Nova York.
 
TRANSFORMAÇÃO
O professor de história Sílvio Luiz Lofego, orientador de Lana, também considera importante a proposta voltada para o conhecimento da legislação pelos jovens e para a preparação dos mesmos para a vida política.
Um projeto como este, segundo Sílvio, se for implantado, poderá mostrar para os estudantes as relações com o mundo que vivemos, como funcionam os poderes, como a sociedade está organizada e principalmente quanto a participação de cada um é importante para as transformações que o país precisa.
Sílvio disse que além de ser muito gratificante ter a redação de uma aluna escolhida como a melhor do estado esse resultado mostra que a escola desenvolve um trabalho sério, o que é bom para Jales e para a própria Diretoria de Ensino.