quarta 14 abril 2021
Política

por  Luiz Ramires
 
Enquanto procura amenizar o drama dos motoristas com uma operação tapa-buracos nas principais vias, o prefeito Pedro Callado cuida de pagar as contas para que a Prefeitura volte a ter credibilidade junto aos fornecedores.  
Em entrevistas durante a semana, o prefeito e o secretário de Planejamento e Finanças, José Magalhães Rocha, afirmaram que a situação financeira está equilibrada e a partir de janeiro de 2017 sobrará mais dinheiro para o próximo prefeito, mas é preciso ter muito cuidado para não comprometer o trabalho que vem sendo feito.
O prefeito voltou a afirmar que a parte financeira da Prefeitura não será resolvida em 2016, mas a situação estará menos difícil, sendo o município deverá começar 2017 com quase R$ 400 mil a mais, de parcelas mensais que deixarão de ser pagas ao Instituto de Previdência Municipal, o que representará mais de R$ 4 milhões em caixa no decorrer do próximo ano. Mas tudo isso poderá ir para o ralo, segundo o prefeito, se a Prefeitura voltar a gastar onde não deve, sem critério, enchendo a administração de comissionados novamente e tomando outras atitudes que comprometam as finanças. É preciso, como afirmou, sanear as contas para voltar a ter crédito junto aos fornecedores, pois o município tem que continuar comprando.
Também é nesse sentido que o prefeito disse já ter conversado com a diretoria do Sindicato dos Servidores Municipais para analisar a proposta de reajuste dos funcionários, dentro das possibilidades de pagamento dos salários em dia, até o final do ano.
 
DÍVIDAS
O secretário de Planejamento e Finanças, José Magalhães Rocha, informou que a maior dívida do município é com o Instituto de Previdência, que passa de R$ 20 milhões e não com a família Jalles pela desapropriação da área onde foi instalado o Distrito Industrial II. Essa dívida já não chega a R$ 158 mil e deverá ser quitada até março, como afirmou. 
Para o instituto, faltam ser pagas 161 de 240 parcelas negociadas durante a administração do ex-prefeito Humberto Parini, além de cinco parcelamentos menores. Todas as parcelas somadas chegam a R$ 539 mil mensais. A boa notícia, segundo o secretário, é que dentro de 12 meses só restará o parcelamento maior, pois os outros cinco serão quitados até janeiro de 2017, o que deverá representar uma economia para o município de cerca de R$ 380 mil mensais. Essas 12 parcelas, segundo o secretário, dariam para recapear boa parte da cidade no decorrer do ano.
As dívidas com os fornecedores foram negociadas através de um reparcelamento em seis vezes, aceito sem problema por parte dos 162 credores do município, como afirmou o secretário. São valores diferentes, a serem pagos cada dia 20 e que este mês representaram R$ 1.070.000,00, referentes à quarta parcela.
 
IPTU
O secretário informou que os carnês do IPTU, ITR e ISS já estão sendo distribuídos, com um reajuste de 9,9% que representa o índice oficial do INPC-IBGE, de novembro do ano passado, quando tem que ser feito o cálculo. O pagamento à vista ou parcelado, como sempre, permite aumentar as receitas do município no começo do ano, quando também entram os recursos do IPVA. Esses valores normalmente dão uma folga até maio, quando as despesas voltam a ser maiores que as receitas e precisam ser administradas até o final do ano. 
O que poderia complicar, segundo o secretário, seria uma queda de arrecadação do ICMS e dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios, sendo que o ICMS já teve uma queda em novembro do ano passado, em relação a outubro.
 
TERRENOS
Para ajudar a pagar as contas e fazer algumas obras, a Prefeitura está fazendo um levantamento de imóveis e equipamentos que poderão ser vendidos. O prefeito explicou que existem muitos terrenos do município que não estão sendo utilizados e geram despesas para sua manutenção. O dinheiro da venda desses terrenos, como afirmou, também deverá ser utilizado para a compra de áreas maiores, para a construção de casas populares.  
 
ASFALTO
O prefeito afirmou que não dá para deixar de pagar dívidas para tapar os buracos ou recapear a cidade, pois a situação ficaria mais complicada e não resolveria o problema. Ele lembrou que boa parte do asfalto foi construída com material de má qualidade e sem a estrutura necessária nas galerias que estão todas se rompendo. Se fizer mal feito agora, vai acontecer tudo de novo, daqui a quatro ou cinco anos. O prefeito anunciou a retomada imediata da operação tapa-buracos e o recapeamento de algumas vias, sempre que der para aproveitar os dias de estiagem.
 
 
FINANCIAMENTO
O financiamento de R$ 8,5 milhões para o recapeamento da cidade não deverá sair tão cedo, pois como afirmou o prefeito, o mesmo é mais um de centenas de projetos dos municípios que ultrapassam R$ 1 bilhão e que aguardam na fila, no programa Desenvolve São Paulo que não tem condições de atender tudo de uma vez e no momento está com o caixa zerado. A informação que obteve é que o pedido de Jales também está sendo analisado, mas só deverá ser atendido, em longo prazo, quando tiver dinheiro. 
Com esses recursos, segundo Magalhães, daria para serem recapeados 406 mil metros quadrados, o que representa o quadrilátero central e as principais avenidas. Para recapear toda a cidade, sem a construção de galerias, seriam necessários mais de R$ 23 milhões, segundo levantamento feito pela Secretaria de Obras. 
 
 
 
Prefeito Callado: se tudo correr bem, a partir do ano que vem o município terá mais dinheiro para investir
 
 
 
 
 
Secretário Magalhães: “nossa dívida é com o Instituto de Previdência 
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